A voz da caserna precisa ser ouvida no Congresso.O cenário dentro das Forças Armadas brasileiras em 2026 reflete uma distorção que muitos preferem ignorar. Enquanto a cúpula desfruta de rendimentos que a colocam no topo da elite financeira do país, a base, marinheiros, fuzileiros e soldados, luta para fechar as contas do mês, impedida por lei de buscar rendas extras.
Para entender como mudar essa realidade, conversamos com Wagner Coelho, pré-candidato a Deputado Federal, que defende que a única saída para o equilíbrio institucional é a pressão política direta no Congresso Nacional.
A Entrevista
R.Augusto: Wagner, os dados recentes divulgados pela Revista Sociedade Militar com base nos números do IBGE são alarmantes. Um Oficial General de quatro estrelas ganha, em média, mais de R$ 38 mil brutos, superando o 1% mais rico do Brasil. Enquanto isso, um Marinheiro ganha cerca de R$ 2.300. Como o senhor vê isso, você pode falar sobre isso ou tem alguma ressalva?
Wagner Coelho: Eu falo sem problema, salário e saúde são assuntos públicos. Eu vejo isso com profunda indignação. É um tapa na face de quem carrega o piano. Estamos falando de um sistema que concentra renda no topo de forma mais agressiva até que lá no paisano. Um General ganha 16 vezes mais que um Marinheiro ou Fuzileiro Naval. Como podemos falar em “família militar” se a cúpula vive no luxo do 1% mais rico e a base ganha R$ 1.000 abaixo da média nacional de R$ 3.367… que família é essa? Um general tem que ganhar bem… mas será que adiferença tem que ser tão grande? O Soldado, o Marinheiro, o sargento… são eles que colocam a cara na hora do vamos ver.
É uma estrutura que infelizmente reproduz o abismo social brasileiro dentro das instituições que deveriam ser os exemplos de meritocracia e justiça.
R.Augusto: O artigo da RSM menciona que o General está no topo da pirâmide social, entre os 1% mais ricos, enquanto o praça enfrenta a “dedicação exclusiva” sem tempo pra exercer outra atividade. Qual o impacto real disso na vida do militar de baixa patente?
Wagner Coelho: O impacto é devastador. O civil, se o calo apertar, faz um “bico”, dirige um aplicativo, faz uma entrega. O militar de base está preso pela dedicação exclusiva. Ele está à disposição 24 horas, em escalas de serviço extenuantes, GLOs e missões repentinas. Ele não tem o direito de complementar a renda e, ao mesmo tempo, o Estado paga a ele um valor que não cobre o custo de vida nas grandes capitais. O resultado? O praça se endivida no consignado para consertar uma geladeira ou comprar um remédio. É uma vulnerabilidade estratégica que coloca o soldado, cabo, 3S morando na comunidade. Se o “dono” da favela sabe que ele é militar ele tem que ir embora dali.
R.Augusto: Por que o senhor acredita que a solução passa obrigatoriamente por um Deputado Federal e não apenas pela via hierárquica interna?
Wagner Coelho: Porque a cúpula não vai abrir mão de privilégios por bondade.. Nunca vi um general levar um problema para um político e bater de frente. Recentemente vi um general bater de frente com um deputado, mas foi pra defender outro general, o chefe dele.
Historicamente, as reestruturações salariais beneficiaram quem tem as estrelas nos ombros, acumulando gratificações de altos estudos que a base não consegue acessar na mesma proporção. Sem um Deputado Federal eleito com o compromisso específico de auditar esses orçamentos e pressionar o Ministério da Defesa, o dinheiro continuará subindo e a base continuará sofrendo evasão. Precisamos de alguém que tenha coragem de dizer no plenário: “Tirem um pouco das cúpulas e distribuam para a base!”.
R.Augusto: O senhor citou a intriga do General com o Van Hattem, isso é emblemático não é mesmo?
Wagner Coelho: Sem dúvida. Deu pra todo mundo perceber a força que tem um deputado com moral, que não fica de brincadeirinha, pensando em jogo de futebol enquanto os irmãos de armas dele estão se ferrando… desculpe a expressão.
Imagine se um deputado militar for um membro de uma comissão forte, se for o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional! O que é perfeitamente possível. Quem me diz que esse deputado não tem força pra expor situações, exigir mudanças?
Estamos perdendo nossos melhores quadros. Sargentos e oficiais subalternos altamente qualificados estão saindo porque não veem perspectiva, não enxergam que a coisa vai melhorar no futuro. Se a base estiver tranquila financeiramente, com um salário digno, teremos menos evasão e atrairemos jovens de melhor nível. A segurança do Brasil depende de uma base motivada, e não de uma elite preocupada apenas com seus investimentos financeiros enquanto o soldado não tem dinheiro para o aluguel.
R.Augusto: Para encerrar, qual o seu recado para os militares que ainda hesitam em se esforçar para que as Forças Armadas elejam um graduado para a Câmara dos Deputados?
Wagner Coelho: Meu recado é simples: se você não colocar alguém lá para falar por você, os Generais continuarão sendo os únicos interlocutores das Forças Armadas no Congresso. E o resultado dessa interlocução exclusiva nós já conhecemos, está no seu bilhete de pagamento, está na dificuldade de atendimento médico, de fazer um exame de imagem. É hora de ocupar o espaço político para garantir que o orçamento da Defesa sirva para quem realmente faz a força girar, e não apenas para sustentar o estilo de vida de quem já chegou ao topo.

Comparativo Salarial (Dados Outubro/2025)
| Posto / Categoria | Remuneração Bruta Média | Referência Social |
| Oficial General (4 estrelas) | R$ 38.210,04 | Acima do 1% mais rico (R$ 24.973) |
| Média Nacional (IBGE) | R$ 3.367,00 | Média do trabalhador brasileiro |
| Marinheiro / Fuzileiro | R$ 2.348,69 | Abaixo da média nacional |
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Precisamos eleger nosso representante Federal.
O PL1645. criou 3 classes de suboficiais na FAB e forças armadas. Posto acima, lacuna e CEAG( altos estudos?) Um verdadeiro absurdo